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Educar é mais simples do que parece
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Fomo-nos habituando à ideia de que educar é uma tarefa tão complicada que, se assim fosse, a maioria das pessoas não estaria à altura de a concretizar.
 
Na realidade, existe uma enorme diferença entre educar e não, pelo que se pode afirmar que, muitas pessoas não educam porque não trabalham aquilo que as crianças precisam de transformar em cada etapa de vida. Vejamos o exemplo simples: até aos seis anos, a criança precisa de ser preparada para a escola, para o respeito pelos mais velhos, pela conquista da sua autonomia e pela aquisição de um conjunto de regras. Se não a levarmos a desenvolver estes objetivos, ela não está preparada para a fase seguinte.
 
É nesse sentido que os pais têm de ter em si uma linha de continuidade e, naturalmente compreender o que é que os filhos necessitam em cada momento de vida para os poder estimular e ajudar a chegar a esses objetivos.
 
Tendo por base essa linha de continuidade, já se sabe que, com a entrada para a escola é preciso manter a exigência, trabalhar em paralelo com a instituição de ensino para que se reforce a ideia de que é importante, manter as regras, a exigência crescente na sua autonomia, ouvir os seus desabafos para compreender onde é que se pode dar uma ou outra dica e daí por diante.
 
Basicamente, os pais têm de olhar para os filhos como indivíduos que estão a aprender e que, mediante as necessidades de cada fase, assim será o seu papel para os levar a cumprir aquilo que lhes é exigido enquanto educadores e referência de autoridade.
 
Já o dissemos várias vezes que, os filhos adoram agradar os pais, por isso, progenitores que sabem o que pretendem para os seus filhos, têm facilidade em colocar esses desafios em prática.
 
Quando chega a adolescência, é mais fácil pensar que é a continuidade do que se ensinou anteriormente. Em vez de pensar que é uma fase terrível e isolada.
 
Muitos pais dizem não conhecer os filhos nessa fase,  muito provavelmente porque não estiveram muito presentes enquanto pais nas etapas anteriores. Ainda se referem aos filhos com comentários depreciativos, falam deles aos amigos e não se apercebem que, para o jovem é um choque conhecer essa nova faceta dos pais, já que, nessa fase de maior exigência, é quando mais precisam do apoio e da compreensão daqueles que são as suas referências no mundo.
 
É do sucesso de cada etapa anterior que vai depender a qualidade do adulto que se forma. Depois, precisamos de ter em conta que, quando nos apercebemos de que não estamos no sentido correto, podemos sempre alterar a rota dos acontecimentos. Se percebemos que insistimos menos na arrumação do quarto, ainda vamos a tempo de fazê-lo desde que expliquemos aos nossos filhos que isso também faz parte do seu desenvolvimento pessoal integral.
 
Em apenas três dias, os pais conseguem mudar algo nos filhos, é preciso que saibam e assumam para si mesmos o que é preciso alterar e mostrar aos filhos com rigor e compreensão que é preciso acrescentar algo novo. Não se trata de esquecer o que se fez, mas de melhorar em função daquilo que se percebeu que é melhor para todos.
 
O mesmo se passa com pequenos gestos como prometer algo e depois não poder cumprir. Explica-se ao filho que se pensou ser possível, mas que não é naquele momento. Ele irá entender se for tratado com o mesmo respeito que lhe é exigido.
 
Note-se que, os jovens são o produto das etapas anteriores. O jovem já foi o bebé, a criança e passou por tudo o que antecede a adolescência. Continua a ter os mesmos pais, simplesmente dá importância a outras coisas. Está a evoluir, está a conhecer-se melhor e a despertar para outras áreas de vida. A escola é cada vez mais exigente e, os pais têm de continuar a acompanhar o processo e a ascensão dos filhos com o mesmo método, com a mesma disciplina, com o mesmo afeto, empenho e interesse, porque por ser jovem, não deixou de ser filho.
 
Bem sucedida mais uma etapa, aproxima-se a idade adulta que será o reflexo de tudo o que se viveu e experimentou nas etapas anteriores. O filho mantém os pais e estes continuam a amá-lo e a respeitá-lo, mas sabem que ele está cada vez mais a preparar-se para seguir o seu caminho, cada vez mais independente e focado na construção da sua própria profissão e vida familiar.
 
Como estamos a perceber, é fácil educar com afeto, amizade, compreensão e liberdade de parte a parte.
 
É exigente a tarefa de ser pai e mãe porque requer maturidade, responsabilidade e, naturalmente estar sempre no patamar acima dos filhos, ainda assim, os bons pais são aqueles que conseguem descer à idade dos mais novos para os compreender, para recuperarem o que também fizeram na sua idade e orientarem para um caminho melhor.
 
Não nos podemos esquecer que, tal como nós passamos pelas experiências, os nossos filhos precisam de vivenciar para poderem crescer, para compreenderem melhor o mundo e, pais saudáveis ensinam a prevenir problemas com a sua inteligência e confiam na educação que dão aos filhos e que os prepara para se defenderem dos perigos.
 
Os nossos filhos têm de conviver uns com os outros, têm de fazer as suas escolhas, têm de aprender com base naquilo que lhes ensinamos, mas acrescentando esse conhecimento com as suas vivências.
 
Os pais educam, não mandam, nem são donos dos filhos. É essa falta de liberdade que atrofia os mais novos e os afasta desde cedo dos pais, por isso, temos de fazer o inverso.
 
Conversar, mostrar e sentir mesmo compreensão e confiança nos filhos, é a base para que eles acreditem mais em si mesmos e na qualidade da educação que receberam. Se os pais estão constantemente a contradizer-se, significa que não estão seguros daquilo que estão a ensinar aos filhos.
 
Essa desconfiança dá azo ao descrédito também por parte dos mais novos e, é o que os faz desacreditar naquilo que os pais dizem ou fazem. Temos de ser rigorosos e capazes de explicar aos nossos filhos que erramos, mas que todos corrigimos os nossos erros em conjunto. Esta humildade torna tudo mais fácil e harmonioso. Não é uma vergonha pedir desculpa a um filho, para que este também se sinta à vontade de o fazer.
 
Acreditar que, cada etapa é o reflexo da anterior e que, se habituarmos os nossos filhos a conversarem connosco e a falarem dos seus problemas, eles não arriscam sem pensar quando estão fora da nossa presença.
 
Depois, é crucial estimular a inteligência dos nossos filhos e a mesma consegue-se com as experiências, as tentativas e os erros. Preparar para a vida é ensinar antes para exigir depois. É motivar e encorajar os nossos filhos para a análise e compreensão dos seus comportamentos. Ser ele a criticar aquilo que fez de menos positivo para que não o repita numa próxima situação e, isso consegue-se explicando, mostrando a verdade dos factos.
 
Educar exige realismo e capacidade de nos colocarmos no outro, mas de mostrarmos com exemplos concretos e ajustados à idade, aquilo que pretendemos que os nossos filhos percebam.
 
Se eles souberem que uma pedra pode ferir um colega na escola, vão pensar duas vezes antes de a usar como brincadeira e, aos poucos, vão formando a sua consciência crítica antecipando muitos acontecimentos, mas é preciso explicar com paciência e responsabilidade.
 
Para mostrarmos que não estamos satisfeitos, não precisa nem agredir, nem humilhar a criança. Basta que nos mostremos com uma expressão facial mais carregada e que lhe digamos que isso não se faz. Rapidamente o nosso filho corrige esse comportamento porque não quer ver aquela cara novamente.
 
É essencial suprimir a ideia de “guerra” entre pais e filhos e focarmo-nos no importante, naquilo que temos à nossa frente e não nos exemplos dos outros ou no que se diz. O nosso filho não é igual aos outros, pelo que não terá de ser como eles. Façamos evidenciar as diferenças e valorizemo-las em vez de compararmos os nossos filhos com os maus exemplos.
 
Os filhos não são propriedade dos pais e, quando a educação corre bem, apresentam a forma da forma da personalidade dos pais, pelo que devemos confiar neles e em nós mesmos enquanto pais, amigos e educadores. Esta é a chave para uma educação bem sucedida!
 
Fátima Fernandes
 
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