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Serão os homens assim tão diferentes das mulheres?
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Há muito tempo que penso neste assunto e a ciência vem dar-me uma preciosa ajuda mostrando o lado científico da matéria.
 
Homens e mulheres são diferentes em termos físicos, mas muito menos distintos em termos emocionais e intelectuais. Uma mulher é tão capaz de gerir uma grande empresa como um homem e este é tão capaz de gerir a casa como a mulher.
 
O que está por detrás das muitas diferenças que se foram instituindo na nossa sociedade são os mitos e as crenças de que o homem é o “guerreiro” e a mulher “a submissa”, o homem trabalha e a mulher “gere o dinheiro e a casa”, a mulher educa os filhos enquanto o marido sai com os amigos e, estas ideias foram assumindo o papel de “regra para tudo”. Felizmente houve sempre quem não concordasse com estas imposições, daí termos grandes nomes ao longo da história de coragem e de ideais distintos que nos permitiram alcançar outras realidades e, como resultado disso, temos uma sociedade que caminha para a igualdade de género e para a desvalorização dessas crenças do passado, ainda assim, faz falta (muito) mais trabalho nesse sentido.
 
Uma menina que é educada com respeito, em pé de igualdade com um irmão, terá as mesmas oportunidades que ele e ser-lhe-à facilitado o acesso a determinadas áreas. O mesmo se passa com os rapazes que, ao serem educados por pais mais abertos, deixam de só gostar de carrinhos e da cor azul e passam a aderir e muito bem, a assuntos que eram dedicados exclusivamente a raparigas.
 
Como queremos que homens e mulheres se entendam se fazemos uma barreira de separação entre géneros?
 
Os mitos e crenças do passado criaram profundas injustiças entre géneros e reduziram as oportunidades de parte a parte, porque os homens também têm sido colocados à margem de muitas questões que eram restritas à mulher, não são só as mulheres as vítimas do sistema. Homens e mulheres têm sido afastados um do outro para alimentar essas crenças e mitos e a prova disso é a dificuldade de entendimento que muitos casais assumem e atravessam, pois como é que pessoas opostas se conseguem entender? O segredo é reduzir a oposição, valorizar as diferenças e compreender a realidade de cada um.
 
Para dar mais consistência ao que estou a dizer, registo os dados de um estudo realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Rochester. Segundo o estudo, em 122 características (que vão de empatia à sexualidade) a análise de 13,301 homens e mulheres não mostrou diferenças significativas entre os géneros.
 
"As pessoas pensam nos sexos como características distintivas. É a primeira pergunta que fazemos a uma grávida - menino ou menina? E o sexo persiste como uma característica que distingue dois tipos de humano", explica o professor de psicologia e co-autor do estudo Harry Reis.
 
O estudo demonstrou que existe uma ou outra diferença mais expressiva entre géneros, mas que não chega a um grande grupo a ponto de se poder generalizar. Nem todos os homens são agressivos ou mais agressivos que as mulheres, tal como nem todas as mulheres são sensíveis ao ponto de se assumirem muito diferentes dos homens.
 
Homens e mulheres são capazes de ser sensíveis e agressivos, pelo que é errado dizer que as mulheres são mais sensíveis e que os homens são mais agressivos.
 
Este estudo demonstra também que, os interesses dos homens podem ser diferentes dos das mulheres, mas que ambos podem gostar das mesmas coisas, mediante a educação que receberam e os estímulos. Não só os homens gostam de pornografia e de futebol, tal como nem todas as mulheres se afastam desse interesse. Os homens também se podem interessar pelos assuntos femininos desde que estes não lhes sejam vedados.
 
No passado, havia interesses para o masculino e para o feminino, o que não traduz que seja assim na realidade. As mulheres também gostam de um bom carro se tiverem acesso a ele, os homens gostam de limpar a casa e de viver num ambiente limpo e arrumado, para isso, ajudam na tarefa.
 
Percebe-se então que é muito mais o mito do que a realidade que existe em torno das questões de género. Temos excelentes mulheres ligadas à matemática e ás ciências, tal como nem todos os homens seguem essas áreas e optam por outras que seriam mais destinadas ao público feminino. Desde que exista liberdade de pensamento, ambos os géneros podem experimentar diferentes áreas e interesses que não são exclusivos de um género ou do outro. Se o leitor reparar, são cada vez mais os homens bem-sucedidos em atividades outrora adstritas às mulheres e vice-versa, o que dá sentido e forma a este estudo e ao que se percebe facilmente no nosso quotidiano.
 
Basicamente, se dermos oportunidade a ambos os géneros de experimentar diferentes tarefas e interesses, percebemos que ambos têm essa capacidade. Assim, é tempo de procurar entender melhor o nosso parceiro/a para facilitar a vida a dois e, em vez de separarmos tanto as tarefas, os interesses, as conversas, será mais fácil e interessante estar em conjunto na maior parte das situações. Ir juntos ao futebol, conversar em grupo num jantar de amigos, passear em conjunto, educar os filhos a dois, organizar as contas e a casa em conjunto. Certamente que a vida conjugal fica mais rica, mais interessante e muito mais agradável e equilibrada para ambos.
 
Homens e mulheres têm de ser capazes de desenvolver a sua capacidade de empatia para que possam ser mais felizes, amigos e unidos. É fundamental que se entendam e respeitem, que se valorizem e diferenciem enquanto indivíduos, mas que saibam partilhar os pontos em comum. Isto é um aspeto muito importante para a felicidade e um ponto que temos de transmitir aos nossos filhos nas mais variadas situações.
 
Os meninos e as meninas têm de ter acesso à realidade de forma abrangente e não somente “às coisas azuis ou rosa”, ambos têm de ser livres para escolher as suas brincadeiras e interesses para que, no futuro, possam entender-se melhor com a sua cara-metade. Temos de chamar a atenção das crianças para a sua individualidade: “tu és menino, ela é menina”, ambos são crianças. Brincam em conjunto, brincam em separado. Aprendem a vida em conjunto, descobrem as emoções entre pares. A roupa ajusta-se mais a cada um porque, de facto, somos fisicamente diferentes, mas os interesses podem muito bem ser partilhados no meio dessas diferenças. As emoções também são pessoais, tal como os sentimentos e a educação que cada criança recebeu. No todo, meninos e meninas têm muito para aprender em conjunto e, esse será o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa e equilibrada: o respeito pessoal, o respeito pela diferença, a descoberta da cumplicidade e do entendimento entre géneros.
 
Fátima Fernandes
 
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