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Há pessoas que querem (à força) ser o centro das atenções. Sabe porquê?
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As pessoas que querem as atenções só para elas possuem um tipo de Transtorno de Personalidade Histriónica.
 
Esta patologia vem citada no livro "Psicopatologia e Semiologia dos transtornos mentais", do autor Paulo Dalgalarrondo que a entende como um transtorno que afeta tanto homens como mulheres e que ocorre no início da idade adulta.
 
De acordo com o mesmo autor, o sujeito que sofre desta patologia tem uma grande tendência para se exibir e para depender da atenção e da aprovação dos outros. Para isso, escolhe cautelosamente os grupos em que participa para que possa colher aquilo de que necessita para alimentar essa carência.
 
O histriónico possui baixa tolerância à frustração e é capaz de entrar em depressão se perceber que não foi devidamente reconhecido. Precisa de muitos aplausos e de se sentir importante. Ao mesmo tempo em que possui uma grande necessidade de ser elogiado e de se sentir o preferido e o alvo dos “paparicos” dos outros, procura fugir à frustração de não ser realmente o que deseja.
 
Este tipo de personalidade apresenta-se muito sedutora; com comportamentos eróticos em locais e situações pouco convenientes, mas funciona para que o sujeito se possa sentir o centro das atenções e para se sentir acima dos demais. É comum que este tipo de pessoas marque a diferença com comportamentos incorretos, pois mesmo sendo um erro grave, acaba por conseguir o que pretende: que os outros olhem para si.
 
É bastante dramático e superficial, valorizando em demasia os aspectos externos. Para Paulo Dalgalarrondo, estas pessoas dão um excesso de valor à sua aparência e chegam a ser exuberantes e provocatórias. Não olham a meios para serem o centro das atenções, refere o mesmo autor.
 
As pessoas que sofrem desta patologia têm muita dificuldade em se posicionar nas relações com os outros, razão pela qual designam facilmente “de melhor amigo” alguém que mal conhecem. Tal acontece porque ao fazerem esse elogio estão a levar o outro a valorizá-los e reconhecê-los também como tal. Sente-se uma “celebridade” nos contactos com os outros. Tudo o que faz é como se estivesse ao nível dos famosos e de alguém que é francamente conhecido e valorizado. Chegam a imitar comportamentos para serem mais convincentes e apreciados.
 
Estas pessoas não admitem a possibilidade de passar despercebidas em algum ambiente, para tal, usam roupas diferentes das dos demais, contam piadas, gozam com os outros para chamar a atenção só para elas, falam alto e assumem os comportamentos mais extravagantes que se possa imaginar.
 
Nos relacionamentos amorosos, encara o parceiro como um súbdito que lhe deverá sempre render louvores. Quanto mais elogio e endeusamento receber, melhor. Quando o parceiro deixa de o elogiar da forma que entende como ideal, tende a procurar outra pessoa, pelo que, as suas relações são muito inconstantes e estranhas.
 
O parceiro ideal deste tipo de personalidade não precisa de ter muitos atributos, basta somente que o elogie para que ocupe essa posição na sua vida. Isto revela a superficialidade deste tipo de pessoas e a forma como banalizam os outros.
 
Relativamente ao diagnóstico deste tipo de transtorno, os especialistas apontam não se tratar de uma tarefa simples, uma vez que a pessoa em causa não se apercebe dos seus comportamentos e da posição que assume com os outros. De um modo geral, é a partir de outros sintomas que o médico psiquiatra chega a este transtorno e, tal acontece quando há um prejuízo muito grande para alguém que se queixa, pois caso contrário, o portador considera-se “normal” e acima dos outros.
 
Entretanto, aqueles que admitem a necessidade de uma avaliação psiquiatra, sendo diagnosticado como portador desse transtorno, terão como indicação a psicoterapia, em especial a da teoria psicanalítica que o ajudará na identificação das suas emoções mal resolvidas, como por exemplo, a intolerância às frustrações e a Teoria Cognitiva Comportamental que o auxiliará na desconstrução dos pensamentos distorcidos.
 
O psiquiatra Micael Suzuki ressalva que, para um comportamento chegar ao ponto de ser alvo de indicação para um diagnóstico é necessário que haja algum prejuízo para o suposto portador e/ou para aqueles que fazem parte do seu ciclo de convivência, caso contrário, é entendido como uma característica de personalidade, o que pode demorar anos até que se possa associar a este transtorno.
 
Para o mesmo especialista, o estilo cognitivo destas pessoas pode ser definido como superficial, do tipo de pessoa que tem dificuldade em apresentar pormenores sobre uma qualquer situação. Por norma, estes pacientes fogem a essa realidade e procuram a todo o custo encontrar alternativas que lhes permitam encaminhar o assunto para outros domínios, o que não facilita o diagnóstico.
  
No que se refere a sintomas, o diagnóstico da PHP é complicado porque pode parecer-se com muitas outras doenças, e porque normalmente ocorre em simultâneo com outros transtornos de personalidade. Os primeiros sintomas manifestam-se na idade adulta e podem decorrer ao longo de toda a vida do sujeito, podendo apresentar formas diferentes, o que dificulta a sua compreensão por parte de quem com eles convive.
 
De um modo geral, os pacientes com PHP mostram-se desconfortáveis quando não são o centro das atenções, são sexualmente sedutores, manifestando comportamentos sexualmente inadequados. As suas emoções são inconstantes e o seu discurso é pobre, ainda que se esforcem por captar a atenção dos outros mudando frequentemente de assunto para manter a atenção dos outros.
 
Como têm muita necessidade de agradar, mudam de assunto, de postura e, aparentemente estão sempre “em linha” com aqueles que os escutam. Essa é uma estratégia para se esconderem das fragilidades.
 
No que se refere às causas, ainda existe muito controvérsia face ao surgimento deste transtorno, ainda assim, os especialistas apontam para fatores biológicas, de desenvolvimento cognitivo e social.
 
Nas causas fisiológicas, os estudos mostram que, os pacientes com PHP têm alta capacidade de resposta dos sistemas noradrenérgico, os mecanismos que envolvem a libertação da noradrenalina.
 
A tendência para uma reacção excessivamente emocional à rejeição, comum entre estes pacientes, pode ser atribuída a um defeito num grupo de neurotransmissores chamados catecolaminas.
 
A Oficina da Psicologia refere que, do ponto de vista do desenvolvimento, a Teoria Psicanalítica desenvolvida por Freud, foi a que apresentou um dos corpos teóricos mais desenvolvidos baseado nas  fases psicossexuais de desenvolvimento pelo qual passa cada indivíduo. Estes estágios determinam o desenvolvimento psicológico posterior de um indivíduo, como um adulto. Inicialmente os psicanalistas propuseram a fase genital; a quinta etapa ou a última do desenvolvimento psicossexual, como um determinante da PHP. Mais tarde, consideraram a fase oral; a primeira etapa de Freud do desenvolvimento psicossexual, como o determinante mais importante da PHP.
 
A maioria dos psicanalistas concorda que uma infância traumática, contribui para o desenvolvimento de tais distúrbios.
 
De acordo com a mesma Oficina, as formas mais graves de  PHP podem derivar da reprovação sistemática na relação precoce mãe-criança.
 
Outro componente da teoria de Freud é o mecanismo de defesa. Mecanismos de defesa são um conjunto de métodos sistemáticos e inconscientes que as pessoas desenvolvem para lidar com conflitos e reduzir a ansiedade. De acordo com a teoria de Freud, todas as pessoas usam os mecanismos de defesa, «mas pessoas diferentes usam diferentes tipos de mecanismos de defesa». Indivíduos com PHP diferem na gravidade dos mecanismos de defesa adaptativos que utilizam. Pacientes com casos mais graves de PHP, podem utilizar os mecanismos de defesa, de repressão, negação e dissociação.
 
A repressão é o mecanismo de defesa mais básico. Quando os pensamentos dos pacientes produzem ansiedade ou lhes são inaceitáveis, usam a repressão para impedir os pensamentos inaceitáveis ou impulsos de aparecer à consciência.
 
Pacientes que usam a negação podem dizer que um problema anterior já não existe, sugerindo que a sua competência tem vindo a aumentar, no entanto, os outros podem notar que não há nenhuma mudança no comportamento dos pacientes.
 
Quando os pacientes com PHP usam o mecanismo de defesa de dissociação, podem apresentar duas ou mais personalidades. Essas duas ou mais personalidades coexistem num indivíduo sem integração. Pacientes com casos menos graves de PHP tendem a empregar o deslocamento e a racionalização como defesa.
 
O deslocamento ocorre quando o paciente muda um efeito de uma ideia para outra. Por exemplo, um homem com PHP pode sentir raiva no trabalho porque o patrão não o considera o centro das atenções. O paciente pode deslocar essa raiva para a sua esposa em vez de ficar com raiva do seu chefe.
 
A racionalização ocorre quando os indivíduos explicam os seus comportamentos de modo a que eles pareçam aceitáveis para os outros.
 
Os modelo Biossocial e de aprendizagem relativos à PHP sugerem que os indivíduos podem adquirir este distúrbio como consequência de reforços interpessoais inconsistentes oferecidos pelos pais. Os defensores dos modelos biossociais de aprendizagem referem que estes indivíduos aprenderam a conseguir o que querem dos outros, chamando a atenção para si.
 
Fátima Fernandes
 
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