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Sabe lidar com a influência dos outros na sua vida?
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A questão é complexa, implica muita reflexão e, sobretudo muita consciência pessoal, mas nunca ninguém disse que é impossível melhorar a forma como se lida com os outros e com as suas opiniões.
 
É raro encontrarmos alguém que não se sinta sufocado com a influência dos outros. Seja por viver num meio pequeno onde toda a gente se conhece e “quer dar a sua opinião”, seja por residir nas grandes cidades e por ter de enfrentar o desafio de lutar num meio alargado e ter de responder pelos seus atos “numa comunidade que parece nada saber, mas que afinal tudo sabe.”
 
Se incomoda a influência dos outros, muito mais é prejudicial viver à margem da cultura e das regras do grupo.
 
Segundo a Revista Vida Simples, “o ser humano é um animal gregário, ou seja, vive em grupo, pelo que não se pode afastar a ideia de que, desde o nascimento, o homem precisa dos seus pares, seja para obter alimento, conforto, apoio e proteção. Seja para aprender com os exemplos e tomar decisões.”
 
Neste sentido, o ponto central da questão “é aprender a lidar com os outros sem que essa influência seja prejudicial.”
 
Na posição dos especialistas na área da psicologia, a base é mesmo o treino e a aprendizagem, alicerces que devem integrar a educação do ser humano desde o berço.
 
“Na infância, ocorre o processo de construção do pensamento lógico e da inteligência emocional, pelo que estão reunidas as condições para fornecer valores e a capacidade de distinguir ‘o certo do errado, o bem e o mal’. É a partir desse processo que, paulatinamente o individuo se dá conta do mundo, das pessoas que o rodeiam e que terá uma palavra a dizer no seu percurso”.
 
Os pais são a principal referência desde o primeiro momento de chegada ao mundo e, a eles cabe a tarefa de transmitir a sua herança cultural aos filhos, com a consciência de que, quanto melhor decorrer o processo, mais se caminha para a felicidade.
 
A tarefa não é de todo fácil, realçam os especialistas, “no entanto, os pais têm de perceber que é fundamental preparar os mais novos para o mundo e que essa construção ocorre em cada momento, em cada exemplo, em cada situação”.
 
De forma mais ou menos ingénua, é comum desencadear medos nas crianças, seja do monstro horrível que está no escuro, seja da figura que vai surgir quando não come a sopa e, muitas vezes, não se medem as consequências desses atos. 
 
É essencial reter que, essas experiências podem marcar os futuros adultos, tal como os pais permissivos que “deixam andar” ou as “guerras” familiares que se instalam em torno dos mal-entendidos.
 
Todo este conjunto de situações, mais cedo ou mais tarde, vão merecer uma análise por parte de pais e filhos. Não há pais nem filhos perfeitos, mas a partir do momento em que se aceita o desafio da parentalidade, torna-se quase num desígnio que se melhore a condição humana, que se pondere as questões em torno da parentalidade e, sobretudo que se procure, no grupo, ajuda para melhorar aquilo que não se sabe.
 
Mais uma vez voltamos à importância do grupo… aquele que nos condena quando tomamos decisões erradas ou quando desconhecemos os prejuízos de atuações, mas que acima de tudo, reúne informação preciosa para que possamos evoluir.
 
A influência dos outros é fundamental desde que “na medida certa”, já que é preciso receber a informação e saber personalizá-la. “O filho da vizinha é diferente do nosso, mas talvez existam pontos interessantes que facilitem um ou outro aspeto do desenvolvimento”.
 
Dizem os investigadores de Harvad que, a melhor forma de encontrar o equilíbrio e a felicidade é tentar perceber o mundo, as pessoas e as situações, pois só dessa forma nos conseguimos proteger, avançamos num sentido evolutivo e aceitamos a vida com simplicidade. 
 
Quer isso dizer que, compreender que o grupo é importante e que pode ser prejudicial ao mesmo tempo, implica saber o que se quer retirar de um determinado grupo, o que se quer aprender com outro e o que se dispensa de outros.
 
O ser humano possui a capacidade de diferenciar as situações e de fazer escolhas. Este processo ocorre a partir das vivências e do contato com a diversidade. De todo que não é preciso ser detido para “calcular” o que custa estar privado da liberdade, tal como não é necessário sofrer um acidente para descrever algo horrível. O mesmo se passa com o inverso. À medida em que vamos participando e conhecendo as diferenças, vamos aperfeiçoando as nossas escolhas e selecionando aquilo que nos traz felicidade.
 
“Quanto mais treinarmos, mais estaremos aptos para fazer estas distinções e mais rapidamente seremos capazes de observar e de retirar as nossas conclusões”.
 
É importante ter em conta que, é o diálogo que permite o esclarecimento e, é a partir dos laços familiares que se constrói a abertura para os filhos esclarecerem as suas dúvidas. 
 
É nos pais que os filhos vão procurar apoio e proteção, pelo que, de acordo com a idade, os progenitores devem fornecer o melhor possível essa estabilidade. “Os pais não sabem tudo e é importante saber dizer ‘não sei’, mas ‘vou ajudar-te a procurar a resposta’.
 
Com esta atitude quebram-se muitos medos que deixam marcas para a vida. Todos sabemos dos monstros assustadores que já foram um recurso fácil numa fase em que os filtros das crianças são escassos e em que essas imagens representam terror, por isso devemos sempre encontrar alternativas aos exemplos que usamos, pois se a palavra é  fundamental, o exemplo é a base da educação.
 
Depois, saber assumir um erro é o melhor exemplo que se pode transmitir quando de influência se fala.
 
Preparar um sujeito para o mundo sem que esteja tão vulnerável ás influências exteriores, assenta precisamente neste reforço parental, pois se os pais mostram que recebem a informação do grupo e que fazem a sua própria interpretação, é essa a mensagem que oferecem aos filhos.
 
É no meio humano que os indivíduos se entendem, mas as diferenças ajudam nas escolhas e na formação da personalidade.
 
“Ninguém apresenta uma personalidade tão estruturada a ponto de só aceitar influências positivas, sendo refratário àquilo que não convém, que faz sofrer, que prejudica. No entanto, a procura de companhias que reúnem melhores influências, é sempre o desafio de qualquer família. Para facilitar essa tarefa, só mesmo os pais podem ajudar com os seus exemplos.”
 
Nunca é demais recordar que, “saber o que é bom para si mesmo e ser fiel aos seus valores e desejos requer uma dose de maturidade que exige tempo, estudo, exemplos, lucidez e afeto, elementos essenciais para o equilíbrio e bem-estar.”
 
É a falta de maturidade que dá espaço a uma maior influência dos outros na nossa vida, pelo que, “ser maduro significa assumir autonomia emocional sem transferir para os demais a responsabilidade pelas consequências das suas ações.” Em vez de falarmos de monstros e de figuras assustadoras, por que não aproveitar os bons exemplos mesmo dos filmes para melhorar a autoconfiança dos nossos filhos?
 
Quem não se lembra do filme: “O gato das botas e os três diabos”! – e da célebre frase: “Existe glória e ouro para quem faz a opção correta…” O mesmo filme ilustra o castigo aos maus e a segunda oportunidade que é dada a quem se quer regenerar… pelo que a escolha é sempre de cada um.
 
Fátima Fernandes
 
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