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Como reagir em caso de surto psicótico

Como reagir em caso de surto psicótico
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13-02-2018 - 17:53
Um estado elevado de stress, instabilidade ou ansiedade, podem ser suficientes para fazer desencadear um episódio psicótico.
 
Por norma, o sujeito tem uma maior dificuldade em se aperceber dos sintomas, sendo que, são as pesssoas em seu redor que se dão conta de alterações comportamentais resultantes de pensamentos falsos e estranhos.
 
Para compreendermos melhor o que é um surto psicótico, como se pode prevenir e tratar, recorremos à opinião do psiquiatra Deyvis Rocha que nos dá conta de que, “um surto psicótico pode ocorrer em qualquer idade, num qualquer indivíduo e em qualquer fase de vida”.
 
Na prática este especialista esclarece que, “surto quer dizer impulso, algo que surge de maneira súbita, mudando o status quo de uma situação. A palavra psicótico deriva de psicose, termo que tem raízes históricas”.
 
O mesmo psiquiatra esclarece que, “o seu sentido sofreu algumas alterações ao longo do tempo. Em meados do século XIX, quando foi pela primeira vez empregada na literatura psiquiátrica, psicose servia para enfatizar as manifestações psíquicas das doenças cerebrais. A mesma palavra já foi usada como sinónimo de doença mental e de insanidade, também para referir-se às doenças mentais com alterações do cérebro, e hoje em dia é usado, como adjetivo, para qualificar os sintomas de delírios e alucinações”.
 
Neste sentido, um surto ou episódio psicótico ocorre quando a pessoa passa a apresentar, de maneira súbita, os sintomas de delírios e alucinações.
 
Deyvis Rocha alerta: “não podemos confundir o termo psicótico com psicopatia, pois apesar de serem foneticamente parecidas, significam coisas bastante diferentes”.
 
Para melhor entendermos o surto psicótico é preciso saber que, “alucinações ou delírios são falsos juízos da realidade, produzidos de maneira patológica. Em termos mais claros, os delírios indicam que a pessoa está com alterações do pensamento que a fazem acreditar em coisas que não existem”.
 
O mesmo médico clarifica que, “a pessoa pode acreditar que está a ser perseguida por outros que lhe querem fazer algum mal, prejudicá-lo e até matá-lo, sejam polícias, sejam ladrões, vizinhos ou familiares”.
 
No mesmo episódio, o sujeito considera-se vigiado ou que possam falar a seu respeito. O mesmo se passa com a televisão, em que o indivíduo sente existir uma comunicação íntima entre si e o aparelho.
 
No surto psicótico “a pessoa também pode pensar que os outros conseguem ler o seu pensamento ou que a televisão lhe manda mensagens”.
 
Os delírios de ciúme também são frequentes nestes casos, sendo que passa a existir a sensação de que se está a ser traído pela pessoa amada.
 
“No delírio erotomaníaco, a pessoa pensa que é amada por outra pessoa”. Pode referir-se a alguém famoso ou mais rico, ou simplesmente a alguém que se torna alvo dessa adoração devido aos tais falsos pensamentos e juízos que o cérebro produz.
 
No caso das alucinações, o psiquiatra Deyvis Rocha explica que, se trata de “alterações na perceção”.
 
Para o mesmo médico, “uma alteração cerebral pode fazer com que possamos perceber coisas que na verdade não existem, como ouvir vozes de pessoas a conversar, sem que alguém esteja presente ou que possa estar a falar. O mesmo funciona para os demais sentidos, podemos ver coisas que não estão lá, sentir cheiros e gostos desagradáveis, além de sentir toques ou beliscões que não existem”.
 
A pessoa em surto psicótico “ouve mesmo essa voz e sente aquilo que descreve, pois encontra-se num estado de doença”, relata o mesmo especialista.
 
No desenvolvimento do surto e aqui é bom alertar desde logo que, aos primeiors sintomas, o paciente deve ser imediatamente avaliado por um especialista para evitar danos maiores para si e para os demais, podem ocorrer os mais variados fenómenos, entre outros, atos de alguma violência, nem que seja verbal, declarações de amor por se considerar amado por alguém, risos despropositados, entre outros sinais que facilmente colocam a pessoa fora da sua realidade habitual e que devem constituir um alerta para quem está ao seu redor.
 
Os atos de violência podem ocorrer quando a pesssoa acredita estar a ser ameaçada ou mesmo em risco de vida, mas tudo depende de cada indivíduo e do estado em que se encontra no momento do surto. Daí a extrema importância em travar o desenvolvimento da doença.
 
Há pessoas que se refugiam no medo dos outros, enquanto que outras enfrentam “os seus inimigos”, tudo depende daquilo que estão a sentir num determinado momento.
 
O psiquiatra Deyvis Rocha esclarece que, “os pacientes com transtorno psicótico não cometem mais atos de violência do que a população normal. A maior parte dos atos de violência nos pacientes acontece quando, além dos sintomas psicóticos, existe o efeito de alguma droga associada como por exemplo a cocaína”.
 
Não sendo possível prevenir o surto psicótico, é sim importante antever as suas consequências e reagir aos primeiros sinais. Neste ponto, torna-se essencial o papel de familiares e amigos que, por norma, são quem mais rapidamente se apercebe de comportamentos estranhos face ao que era habitual no indivíduo em causa.
 
“Mesmo com a eclosão dos delírios e alucinações que ocorre de maneira subida, é possível sim identificar algumas alterações que precedem o desencadear do surto psicótico”.
 
É importante estar atento aos seguintes sinais, recomenda o Dr. Deyvis Rocha: “quando a pessoa começa a agir de maneira diferente do seu habitual, está mais irritadiça, dorme menos, às vezes manifesta preocupações com temas filosóficos ou religiosos, passa a ter dificuldades na escola ou no trabalho. Isola-se dos amigos, perde o interesse em algumas atividades”.
 
O mesmo médico sublinha que, “a própria pessoa pode não se dar conta disso, mas pode começar a perceber as coisas que antes eram triviais de uma maneira estranha. Antes de achar que está sendo perseguida ou que há um plano diabólico contra, a pessoa percebe significados diferentes nos gestos e nas falas dos outros, passa a desconfiar de que algo está para acontecer, mas ainda não sabe exatamente o quê”.
 
Para evitar a evolução da doença, “esse é o momento de procurar a avaliação de um profissional, de um psiquiatra, que pode instituir o tratamento antes que o surto se apresente na sua maneira mais exuberante”.
 
Deyvis Rocha reforça que “há tratamento e quanto mais cedo melhor".
 
Há vários antipsicóticos, que podem ser classificados de acordo com o tempo em que foram fabricados. Os de primeira geração são os mais antigos e os de segunda geração, mais recentes. No entanto, não há diferença de eficácia comprovada entre os diferentes tipos, há diferenças sim nos efeitos colaterais. A escolha dos antipsicóticos a ser tomado vai depender do perfil do paciente e da experiência de tratamento do médico”.
  
Pela complexidade da doença, é fundamental que se atue de forma célere e eficaz, pelo que, a procura de um médico psiquiatra em tempo útil; inicial é sempre a melhor forma de agir nestas condições atípicas e inesperadas, mas que podem ocorrer a qualquer pessoa.
 
Em muitos casos, é igualmente recomendada a psicoterapia, visto ser importante que o doente regresse à normalidade de forma mais segura e consistente.
 
 
 
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